
A nova exigência da NR-1 pode impactar diretamente sua empresa
Durante muitos anos, os Programas de Gerenciamento de Riscos (PGR) concentraram esforços principalmente nos riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes.
A partir das atualizações recentes da NR-1, os riscos psicossociais passaram a receber maior atenção dos órgãos fiscalizadores e das próprias empresas.
Na prática, isso significa que fatores como assédio, pressão excessiva por resultados, jornadas desgastantes, conflitos organizacionais e ambientes de trabalho psicologicamente inseguros não podem mais ser ignorados dentro da gestão de riscos ocupacionais.
Para empresas dos setores de construção civil, mineração, infraestrutura, energia, combustíveis e indústria, o tema exige atenção imediata.
Mais do que uma obrigação legal, a gestão dos riscos psicossociais tornou-se uma questão de produtividade, retenção de talentos e redução de passivos trabalhistas.
O que são riscos psicossociais?
Riscos psicossociais são fatores relacionados à organização do trabalho, à gestão de pessoas e às relações interpessoais que podem afetar a saúde mental dos trabalhadores.
Alguns exemplos comuns incluem:
- Excesso de cobrança e pressão constante.
- Jornadas excessivas.
- Falta de clareza nas funções.
- Conflitos entre equipes.
- Assédio moral.
- Assédio sexual.
- Isolamento profissional.
- Falta de apoio da liderança.
- Ambientes de trabalho hostis.
Quando não identificados e tratados adequadamente, esses fatores podem resultar em afastamentos, queda de produtividade, aumento do turnover e ações trabalhistas.
O que mudou na NR-1 em relação aos riscos psicossociais?
Resposta rápida
A NR-1 reforça a necessidade de identificar, avaliar e controlar todos os riscos ocupacionais que possam afetar a saúde e a segurança dos trabalhadores, incluindo fatores psicossociais.
Isso significa que o PGR deve refletir a realidade da organização e contemplar riscos que possam comprometer a saúde mental dos colaboradores.
Quais empresas devem se preocupar com essa adequação?
Praticamente toda organização que possui empregados contratados sob regime CLT deve avaliar se existem fatores psicossociais relevantes em suas operações.
No entanto, alguns setores costumam apresentar exposição mais significativa:
Construção Civil
- Metas agressivas.
- Pressão por prazo.
- Equipes temporárias.
- Trabalho longe da residência.
Mineração
- Escalas prolongadas.
- Trabalho em áreas remotas.
- Alto nível de responsabilidade operacional.
Energia e Infraestrutura
- Operações críticas.
- Pressão por disponibilidade dos sistemas.
- Atividades de alto risco.
Combustíveis e Produtos Perigosos
- Responsabilidade operacional elevada.
- Risco de acidentes graves.
- Fiscalizações constantes.
O que acontece se a empresa ignorar os riscos psicossociais?
Os impactos podem ir muito além de uma eventual autuação.
Entre os principais riscos estão:
- Aumento do absenteísmo.
- Crescimento dos afastamentos por questões emocionais.
- Queda da produtividade.
- Aumento do turnover.
- Processos trabalhistas.
- Danos à reputação da empresa.
- Não conformidades em auditorias.
- Questionamentos durante fiscalizações.
Empresas contratadas por grandes grupos econômicos também podem enfrentar dificuldades em homologações e processos de qualificação de fornecedores.
Como adequar o PGR aos riscos psicossociais?
1. Mapear atividades críticas
Identificar funções, equipes e processos com maior potencial de exposição.
2. Avaliar fatores organizacionais
Analisar:
- Jornada.
- Escalas.
- Metas.
- Comunicação.
- Liderança.
- Clima organizacional.
3. Ouvir os trabalhadores
Questionários, entrevistas e pesquisas internas ajudam a identificar situações que normalmente não aparecem em inspeções tradicionais.
4. Registrar os riscos identificados
Os riscos relevantes devem constar no inventário de riscos do PGR.
5. Definir medidas de controle
As ações podem envolver:
- Treinamento de lideranças.
- Programas de prevenção ao assédio.
- Revisão de processos internos.
- Melhorias na comunicação.
- Acompanhamento psicossocial.
Erros mais comuns encontrados nas empresas
Durante auditorias e revisões documentais, alguns erros são recorrentes:
- Copiar modelos prontos de PGR.
- Não envolver gestores e trabalhadores.
- Tratar saúde mental apenas como assunto do RH.
- Não registrar evidências das avaliações realizadas.
- Atualizar documentos sem revisar a realidade operacional.
Esses problemas costumam gerar fragilidade documental justamente quando ocorre uma fiscalização ou processo judicial.
Como empresas de infraestrutura e construção civil podem ser impactadas
Empresas que executam contratos para grandes clientes frequentemente precisam demonstrar maturidade em SST e conformidade legal.
Hoje, não basta possuir um PGR formalmente elaborado.
É necessário demonstrar que os riscos foram efetivamente identificados, avaliados e controlados.
Empresas que conseguem estruturar esse processo tendem a apresentar melhores indicadores de segurança, menor rotatividade e maior competitividade em licitações e contratos corporativos.
Perguntas Frequentes
A NR-1 exige avaliação dos riscos psicossociais?
A gestão de riscos ocupacionais deve considerar fatores que possam afetar a saúde e segurança dos trabalhadores, incluindo aspectos psicossociais quando relevantes para a realidade da empresa.
Pequenas empresas também precisam avaliar esses riscos?
Sim. A profundidade da avaliação pode variar conforme a complexidade da operação, mas o tema não está restrito às grandes empresas.
O risco psicossocial gera multa?
Dependendo da situação identificada durante fiscalizações e da existência de outras não conformidades associadas, a empresa pode sofrer autuações e responder por passivos trabalhistas.
O PGR precisa ser atualizado?
Sempre que houver mudanças significativas na operação ou quando forem identificados novos riscos ocupacionais.
Quem pode ajudar na adequação?
Empresas especializadas em SST podem realizar diagnósticos, revisões documentais e apoiar a implementação das medidas necessárias.
Como a CONSERV pode ajudar
A CONSERV atua no apoio a empresas dos setores de construção civil, infraestrutura, mineração, energia, agronegócio e combustíveis, auxiliando na identificação, avaliação e gerenciamento dos riscos ocupacionais.
Além da elaboração e revisão de PGR, PCMSO e LTCAT, nossa equipe apoia organizações que precisam manter conformidade legal, atender exigências de clientes corporativos e reduzir passivos trabalhistas.
Se sua empresa precisa revisar o PGR ou entender como os riscos psicossociais podem impactar sua operação, entre em contato com nossa equipe para uma avaliação técnica.